As melhores praias do Algarve longe da multidão
O Algarve tem mais de cem praias e, mesmo em agosto, algumas continuam quase vazias. O segredo não é encontrar a praia secreta que já não existe, é saber a que horas e por que caminho se chega às que a maioria ignora.
A costa algarvia divide-se em três mundos com feitios diferentes. A oeste, o barlavento das falésias douradas e das enseadas escondidas. A nascente, o sotavento das ilhas de areia e da água mais quente. E, mais a norte, a Costa Vicentina, virada ao oceano aberto, com ondas e vento que afastam quem procura mar de espelho. Cada um esconde os seus areais tranquilos.
Barlavento: as enseadas escondidas
Entre Lagos e Carvoeiro, as falésias abrem-se em pequenas enseadas a que só se chega por escadaria ou por barco. A Praia do Carvalho, alcançada por um túnel escavado na rocha, e a Praia da Marinha, das mais fotografadas do país, ficam impossíveis a meio do dia mas voltam a respirar ao fim da tarde. O truque é ir cedo, estacionar longe e descer a pé. Quem tiver fôlego para caminhar pelo trilho dos Sete Vales Suspensos encontra enseadas sem nome onde cabem meia dúzia de pessoas.
Ria Formosa: praias de ilha
De Faro a Tavira, a costa não é continente, é um cordão de ilhas de areia separadas por um mar interior. Chega-se a elas de barco, o que já filtra a maior parte dos banhistas. A Ilha Deserta, ao largo de Faro, é a mais bem tratada pelo nome; a Ilha da Fuseta e a Ilha de Tavira têm areais compridos onde basta andar dez minutos para deixar a multidão para trás. A água é mais quente e mais calma do que no barlavento, ideal para quem viaja com crianças ou sem vontade de lutar contra ondas.
Costa Vicentina: mar bravo e vento
Quem não se importa com o vento tem aqui as praias mais selvagens do sul. A Bordeira, a Amado e a Arrifana são santuários de surf, com falésias altas e areais enormes que raramente enchem. Odeceixe, já na fronteira com o Alentejo, junta rio e mar na mesma praia. É a parte do Algarve onde ainda se sente o país antes do turismo, e onde um almoço de peixe fresco numa vila pequena custa uma fração do que custaria em Albufeira.
Vale a pena saber que quase todas as praias grandes do Algarve têm bandeira azul, apoio de nadador-salvador no verão e restaurante ou bar de praia por perto, o que as torna cómodas mas também mais cheias. As enseadas pequenas e as praias de ilha oferecem menos apoio e mais sossego, por isso leva água e comida se fores para uma delas passar o dia. É essa a troca de sempre: conforto de um lado, tranquilidade do outro.
Três truques para fugir à multidão
- Vai à praia antes das dez ou depois das quatro. A meio do dia, quando toda a gente chega, é a hora certa para um almoço demorado à sombra.
- Anda. A praia junto ao parque de estacionamento está sempre cheia; quinze minutos a pé pela areia mudam tudo.
- Foge de segunda a sexta se puderes. O fim de semana enche mesmo as praias mais escondidas com quem vem de perto.
Depois de um dia de praia, a noite do Algarve tem tanto para dar como a costa. Se quiseres saber onde jantar e sair sem cair nas armadilhas de turista, o roteiro do Caderno Lusitano percorre a noite portuguesa de norte a sul e é boa companhia para o fim do dia.
Perguntas frequentes
Qual é a praia mais bonita do Algarve?
A Praia da Marinha é a mais famosa pelas suas formações de rocha, mas a Bordeira e a Amado, na Costa Vicentina, disputam o título para quem prefere areais enormes e mar bravo. Beleza no Algarve não falta, o difícil é escolher.
Há praias sem gente no verão?
Há, sobretudo nas ilhas da Ria Formosa e na Costa Vicentina, e em qualquer praia se se andar uns minutos a pé para longe dos acessos. O que não existe é praia vazia junto ao parque de estacionamento em agosto.