Roteiro de sete dias pelo Algarve
Uma semana chega para ver o Algarve a sério, se não se tentar ver tudo. Este roteiro atravessa a costa de oeste para leste, do mar bravo da Costa Vicentina à água morna da Ria Formosa, com tempo para não fazer nada entre praias.
Dias 1 e 2: Sagres e a Costa Vicentina
Começa pelo fim do mundo. Sagres, no extremo sudoeste, tem a fortaleza sobre o oceano e o Cabo de São Vicente, onde o continente acaba de vez. As praias em redor, a Mareta, o Tonel, a Beliche, são de mar frio e vento, mas de uma beleza que compensa a camisola. Sobe depois pela Costa Vicentina até à Arrifana e à Bordeira, santuários de surf com areais enormes. Dorme em Sagres ou em Aljezur, come peixe grelhado numa tasca de vila e vais perceber logo que este Algarve não é o dos folhetos.
Dias 3 e 4: Lagos e as falésias douradas
Desce para Lagos, uma das vilas mais bonitas do sul, de centro histórico murado e vida à noite. É a base perfeita para as enseadas escondidas do barlavento: a Ponta da Piedade, com as suas grutas que se visitam de barco, e as praias entre Carvoeiro e a Praia da Marinha. Reserva uma manhã cedo para a Marinha, antes de a multidão chegar, e uma tarde para não fazer nada. À noite, Lagos tem esplanadas e bares para todos os gostos.
Dia 5: do interior à serra
Nem só de praia vive o Algarve. Um dia longe do mar mostra outro país: Monchique, na serra, com as suas águas termais e vistas até ao oceano; Silves, antiga capital moura, com o castelo de arenito vermelho a dominar o vale. É o dia para provar o presunto e o medronho da serra e para descansar da areia. Volta ao litoral ao fim da tarde, com o carro cheiro a poeira e a viagem a saber a mais.
Dias 6 e 7: Tavira e a Ria Formosa
Termina a leste, onde o Algarve abranda. Tavira, cortada por um rio e cheia de igrejas, é das vilas mais elegantes do sul e a porta para as ilhas de areia da Ria Formosa. Apanha o barco para a Ilha de Tavira, anda uns minutos pela areia e encontras o mar quente e calmo que faltava depois do barlavento. É o remate certo para uma semana que começou no vento e acaba na maré mansa.
O que comer pelo caminho
O Algarve come-se de peixe e marisco, mas não só. No barlavento, a percebe-se cara e o bife de atum fresco valem a paragem; em Sagres, o polvo grelhado é quase obrigatório. Ao longo da costa, procura as cataplanas, o guisado que se serve para partilhar e que muda de terra para terra. No interior, muda tudo: em Monchique manda o presunto e o enchido de porco preto, e a sobremesa é o bolo de amêndoa ou o mel da serra. A regra de sempre aplica-se aqui como no resto do país: foge dos restaurantes com fotografias na montra e menu em cinco línguas, e senta-te onde comem os locais. A meio da semana e fora das avenidas principais, um almoço de peixe fresco com vinho da casa continua a custar uma fração do que se paga a dois passos da praia mais concorrida.
As noites, e a companhia
Uma semana de estrada tem sempre noites de sobra, e nem toda a gente viaja acompanhada. Há quem venha sozinho, quem se cruze com alguém pelo caminho e queira que a coisa corra bem sem atropelos. Se é o teu caso, este texto sobre como correr bem um primeiro encontro numa cidade nova tem conselhos simples que servem tanto para uma viagem a dois como para conhecer alguém no destino. O resto é deixar a noite acontecer.
Perguntas frequentes
Precisa de carro para este roteiro?
Sim. O comboio da linha do Algarve liga as cidades principais, mas a Costa Vicentina, a serra e as praias mais escondidas só se alcançam de carro. Para uma semana a percorrer a costa toda, é praticamente obrigatório.
Dá para fazer este roteiro em agosto?
Dá, mas com mais gente e mais calor. Reserva o alojamento com antecedência, vai às praias cedo e considera trocar algumas das mais famosas pelas da Costa Vicentina, que raramente enchem.