Bússola do Sul

Madeira e Açores: o que ver em cada ilha

As ilhas portuguesas são dois mundos diferentes. A Madeira é montanha e jardim no meio do Atlântico; os Açores são nove pedaços de vulcão espalhados pelo oceano. Este guia arruma o essencial de cada uma para quem tem poucos dias e não os quer perder no carro à procura do caminho.

Madeira: o que não perder

A Madeira vive do lado de fora. As levadas, os canais de água que atravessam a montanha, tornaram-se os melhores trilhos do país: a da Caldeirão Verde e a dos Balcões dão paisagens que parecem inventadas, e fazem-se sem grande esforço. O Pico do Arieiro ao nascer do sol, acima de um mar de nuvens, é a imagem que fica de qualquer viagem à ilha. Do outro lado, o norte de São Vicente e Porto Moniz é verde, húmido e bravo, com piscinas naturais de lava onde o mar entra e sai. No meio de tudo, o Funchal, que concentra a vida, os jardins e a maior parte dos hotéis.

O Funchal quando a noite cai

Depois de um dia de montanha, o Funchal recompensa. A Zona Velha enche-se de mesas, prova-se a poncha e janta-se peixe fresco a poucos metros do mar. Como muita gente chega à ilha sozinha, de férias ou em trabalho, há quem prefira acabar a noite com companhia e conversa em vez de a passar fechado no quarto de hotel. Para esses, as páginas de acompanhantes na Madeira que verificam cada perfil antes de o publicar resolvem o assunto sem os anúncios falsos que enchem os classificados de sempre, com a garantia de que quem aparece é mesmo quem está na fotografia.

Porto Santo, a praia que falta à Madeira

A Madeira quase não tem praia de areia, mas tem uma ilha ao lado que é só isso. O Porto Santo, a duas horas e meia de ferry do Funchal, é uma língua de areia dourada com nove quilómetros, das melhores praias de Portugal e uma das menos concorridas. Vale a pena ir por um dia ou dormir uma noite, sobretudo fora de agosto, quando a ilha inteira parece de quem lá está.

Açores: por onde começar

Quem nunca foi aos Açores deve começar por São Miguel, a maior ilha. As Sete Cidades, com as suas lagoas verde e azul dentro de uma cratera, as Furnas com as fumarolas e o cozido feito no calor da terra, e as piscinas de água do mar aquecida por vulcões dão para vários dias. Depois abre-se o leque: o Pico, com a montanha mais alta do país e as vinhas em pedra negra; o Faial e a sua caldeira; as Flores, remotas e das paisagens mais bonitas da Europa. Não se fazem os Açores todos numa viagem, e não é para isso que lá se vai.

Um aviso prático para os Açores: as distâncias enganam e os voos entre ilhas esgotam depressa no verão, por isso reserva os trajetos entre ilhas com antecedência e não deixes ligações apertadas para o dia de partida, porque o nevoeiro cancela voos sem aviso. Na Madeira o problema é outro, o vento no aeroporto, um dos mais exigentes da Europa para aterrar, que de vez em quando obriga a desvios. Nada disto estraga a viagem, mas convém contar com uma margem no regresso.

Quando ir às ilhas

A Madeira tem bom tempo quase o ano inteiro, com invernos amenos que a tornam um destino de fuga ao frio do continente. Os Açores são mais imprevisíveis: o verão, de junho a setembro, dá os dias mais estáveis, mas mesmo aí o tempo muda de hora a hora, por isso leva roupa para tudo e não faças planos que não se possam trocar à última hora.

Perguntas frequentes

Madeira ou Açores, para uma primeira viagem?

A Madeira é mais fácil, com melhor tempo e mais infraestrutura, ideal para uma primeira ilha. Os Açores pedem mais espírito de aventura e alguma tolerância ao tempo instável, mas recompensam quem procura paisagem em estado puro.

Precisa de carro na Madeira?

Sim, para ver o melhor. As levadas, os miradouros e o norte da ilha ficam longe do Funchal e os transportes públicos não chegam lá com horários úteis para quem visita.