Bússola do Sul

Madeira em quatro dias, o essencial

Por Nuno Vaz

A Madeira parece pequena no mapa e engana. As estradas sobem e descem, os túneis atravessam a montanha e o que parecia perto leva sempre mais tempo do que se pensa. Quatro dias, com carro e sem pressa, chegam para ver o essencial da ilha sem a passar toda ao volante.

Falésias da costa da Madeira
A costa recortada da Madeira, quase toda de rocha.

Dia 1: o Funchal a pé

Chega e fica pela cidade. O Funchal vê-se bem a pé: o mercado dos Lavradores, a Zona Velha de ruas estreitas e portas pintadas, o teleférico até ao Monte e a descida de volta nos carros de cesto, uma tradição que sobrevive só para turistas mas que vale a curiosidade. Termina o dia na Zona Velha, com poncha e peixe fresco, a apanhar o ritmo da ilha antes de a atacar.

Dia 2: o Pico do Arieiro e as levadas

Levanta-te cedo, mas mesmo cedo, e sobe ao Pico do Arieiro para o nascer do sol acima das nuvens. É a imagem que fica de qualquer viagem à Madeira e, às seis da manhã, ainda cabe carro no miradouro. Depois escolhe uma levada: a dos Balcões é curta e fácil, a do Caldeirão Verde é mais longa e mais espetacular. Leva água, calçado com piso e uma camisola, porque a montanha muda de tempo num instante.

Dia 3: o norte verde

Atravessa a ilha para o norte, o lado húmido e bravo. São Vicente e o Porto Moniz, com as suas piscinas naturais de lava onde o mar entra e sai, são o destaque, mas a viagem é metade do prémio: estradas antigas coladas à falésia, cascatas que caem sobre o asfalto, aldeias suspensas. Volta pela Encumeada, o passo entre montanhas que liga os dois lados da ilha.

Dia 4: leste e o adeus

Guarda a Ponta de São Lourenço para o fim. É a ponta leste da ilha, seca e vermelha ao contrário de todo o resto, com um trilho fácil por uma língua de terra entre dois mares. É o contraste perfeito para fechar a viagem, e fica perto do aeroporto para quem parte ao fim do dia.

Onde comer sem cair em armadilhas

A comida madeirense é honesta e farta. O prato mais típico é a espetada de carne de vaca em pau de loureiro, servida com o bolo do caco, um pão achatado e quente que se barra com manteiga de alho. À beira-mar, o peixe fresco manda, sobretudo a espada preta com banana, uma combinação estranha no papel e certeira no prato. Para beber, a poncha é o cartão de visita da ilha, feita de aguardente de cana, mel e limão, e convém respeitá-la porque engana. Foge dos restaurantes da marina do Funchal com empregados a chamar clientes à porta e sobe às ruas da Zona Velha ou procura as vilas fora da cidade, onde se come melhor e por menos. Ao domingo, muitas famílias madeirenses ainda fazem o almoço demorado, e vale a pena imitar o costume.

Quanto custa uma noite na ilha

A Madeira não é um destino caro se se fugir dos hotéis grandes e dos restaurantes da marina. Uma guest house no Funchal, um jantar de peixe numa tasca da Zona Velha e um carro pequeno alugado dão para uma semana sem estourar o orçamento. Já quem chega sozinho e quer acabar a noite com companhia às vezes tem dúvidas sobre valores e como funciona; este texto sobre quanto custa uma noite acompanhado em Portugal explica os intervalos habituais sem rodeios, e ajuda a perceber o que é normal e o que não é.

Perguntas frequentes

Quatro dias chegam para a Madeira?

Chegam para o essencial: o Funchal, uma levada, o Pico do Arieiro, o norte e a Ponta de São Lourenço. Para incluir o Porto Santo ou fazer trilhos mais longos, conta cinco ou seis dias.

A Madeira tem praia?

De areia, quase não. Tem piscinas naturais, praias de calhau e o teleférico para a água. Quem quer areia dourada apanha o ferry para o Porto Santo, a ilha ao lado, com nove quilómetros de praia.