Bússola do Sul

Guia do Sul e das ilhas: Algarve, Madeira e Açores sem multidões

O sul de Portugal e as ilhas são o postal que todos conhecem e, ao mesmo tempo, os sítios mais fáceis de visitar mal. Este guia junta o que aprendemos a andar por aqui fora da época alta, quando o mesmo lugar custa metade e respira o dobro.

Falésias da costa do Algarve sobre o mar
A costa rochosa do Algarve, vista de cima.

Há uma regra que serve para o Algarve, para a Madeira e para os Açores: quem escolhe bem a altura do ano vê outro país. Em agosto, as praias enchem, os preços disparam e as estradas ficam impossíveis. Em maio, em junho ou em setembro, os mesmos sítios estão calmos, o mar ainda dá banho e há mesa em qualquer restaurante sem reserva. Se puderes escolher quando vais, escolhe fora do pico, é o melhor conselho deste guia inteiro.

O Algarve que ainda vale a pena

O Algarve é grande e muito diferente de ponta a ponta. O barlavento, a oeste, é o das falésias douradas, das praias escondidas e da Costa Vicentina, mais bravia e ventosa. O sotavento, a nascente, tem areais compridos, água mais quente e a Ria Formosa, um labirinto de ilhas de areia que se visitam de barco. No meio fica a zona mais construída, de Albufeira a Vilamoura, que é onde está a maior parte dos hotéis e, também, a maior parte do barulho.

À noite, o sul muda de horário. Albufeira concentra a vida mais ruidosa, com a Rua da Oura cheia até de madrugada; Vilamoura joga noutra liga, mais elegante, com a marina a servir de cenário a jantares longos. Muita gente vem ao Algarve sozinha, em trabalho ou fora de época, e prefere uma noite mais reservada a uma discoteca a abarrotar. Para esses, os diretórios de acompanhantes no Algarve que confirmam cada perfil antes de o mostrar tornaram-se a alternativa óbvia aos classificados sem controlo, com a vantagem de a fotografia corresponder mesmo a quem aparece.

Se preferires o Algarve calmo, foge para oeste. Lagos, Sagres e as praias entre Carrapateira e Odeceixe têm outra escala e outra gente. É a parte do sul onde ainda se encontra uma praia quase deserta em pleno verão, desde que se ande um pouco a pé.

Quando ir, mês a mês

Maio e junho são provavelmente os melhores meses: o mar já aquece, os dias são longos e ainda não chegou a enchente. Setembro é o segredo dos habituais, com água morna de um verão inteiro e metade da gente. Julho e agosto são para quem não tem alternativa, e nesse caso vale a pena reservar tudo com antecedência e sair para a praia cedo. O inverno no Algarve surpreende quem lá nunca foi: há dias de sol e de camisola, bom para caminhadas e para preços de fora de época.

A Madeira, montanha e mar ao mesmo tempo

A Madeira não é uma ilha de praia, é uma ilha de paisagem. Vive-se do lado de fora, a andar pelas levadas, os canais de água que atravessam a montanha e que se tornaram os melhores trilhos do país. O Funchal concentra a vida, a noite e a maior parte dos hotéis, mas a ilha só se percebe quando se sobe, ao Pico do Arieiro de madrugada para ver o nascer do sol acima das nuvens, ou quando se desce ao norte verde e húmido de São Vicente e Porto Moniz. Reserva pelo menos quatro dias, e um carro, porque os transportes públicos não chegam ao melhor.

Os Açores, o segredo que já não é tanto

Nove ilhas no meio do Atlântico, cada uma diferente da anterior. São Miguel, a maior, tem as lagoas das Sete Cidades e do Fogo, as fumarolas das Furnas e piscinas de água do mar aquecida por vulcões. O Pico tem a montanha mais alta de Portugal e vinhas plantadas em pedra negra, património da humanidade. As Flores, mais remotas, são das paisagens mais bonitas da Europa e quase ninguém lá vai. O tempo muda de hora a hora, por isso leva roupa para tudo e não faças planos rígidos.

Como andar de um lado para o outro

No Algarve, o carro compensa se a ideia for saltar de praia em praia, mas o comboio da linha do Algarve liga as principais cidades a bom preço e evita o inferno do estacionamento no verão. Para as ilhas, o carro alugado é quase obrigatório, porque o melhor de cada uma está longe das vilas. Entre ilhas dos Açores há voos curtos e barcos no verão; entre a Madeira e o Porto Santo há um ferry diário que vale a viagem pela praia enorme que espera do outro lado.

Dormir bem sem pagar de mais

Fora da época alta, uma guest house de bairro ou uma casa rural saem muitas vezes mais em conta do que um hotel grande e têm mais alma. Nas ilhas, as casas de campo recuperadas são a melhor relação entre preço e experiência. A dica que mais poupa continua a ser simples: reservar as primeiras noites e deixar o resto em aberto, porque quase sempre se muda de planos a meio e os melhores sítios descobrem-se lá.

Perguntas frequentes

Qual é a melhor altura para ir ao Algarve?

Maio, junho e setembro dão o melhor equilíbrio entre mar quente, dias longos e pouca gente. Julho e agosto são os mais cheios e caros, e o inverno é surpreendentemente ameno para caminhadas.

Vale a pena alugar carro nas ilhas?

Na Madeira e nos Açores, sim, quase sempre. O melhor de cada ilha fica longe das vilas e os transportes públicos não chegam lá. No Algarve depende: para saltar entre praias ajuda, mas nas cidades é mais estorvo do que ajuda.

Quantos dias chegam para a Madeira?

Quatro a cinco dias permitem conhecer o Funchal, as levadas principais, o Pico do Arieiro e o norte da ilha sem correria. Menos do que isso obriga a escolher.